31 de dezembro de 2017

Feliz ano novo.


Eu não queria ser má comigo mesma na última noite do ano. Enquanto pensava isso, meu porta diploma descansava a poucos metros de mim. No spotify tocava The night we met (Lord Huron). No bate papo do face, uma prima - recém separada - precisava de algum conforto. Tentei dormir durante a tarde, mas não consegui, as preocupações provocavam batidas descompassadas no peito. Péssimo momento para ter parado a terapia por falta de dinheiro. 

Na hora do almoço, de touca e pano úmido em uma das mãos, eu trabalhava para que tudo saísse da forma que a minha mãe queria. Nada menos que perfeito. Agora eu percebi: não conseguimos ter uma conversa decente que não se resumisse em comida, cliente, marmitas, você não fez isso ou aquilo. Concluí que era impossível agradá-la. De certa forma sempre foi. Eu a via sorrindo, mas era um sorriso de quem havia implodido e soltava faíscas. Nossa relação, agora também de trabalho, se assemelha com aqueles caldos cujos os ingredientes não foram o suficiente para engrossar e ficar bom. 

Meu avô materno me abraçou muito quando chegou. Eu deveria estar cheirando a algo defumado, mas ele sorria e me falava de orgulho. Orgulho por eu ter me formado e agora ser uma "doutora". Ele nem deve ter se dado conta que pegou meu coração na mão por uns segundos e o aqueceu suavemente. Fiquei me questionando qual foi a última vez que eu senti orgulho de mim, que eu me abracei e valorizei meu esforço. Eu só tenho me maltratado desde a colação ou desde que sai do estágio.  

2017 não foi aquele ano. A sensação que fica é de não ter feito o suficiente, de ter feito escolhas erradas. Mas, eu não posso me culpar pelas coisas que não dependiam apenas de mim. Não dá para controlar tudo ou prever. 
25 de dezembro de 2017

Dez conselhos para meu eu de 21 anos

Lendo um post da Camila Fernandes (veja aqui) resolve fazer a brincadeira das dez coisas que você diria, se tivesse a chance, ao seu eu mais jovem. Reli minhas escritas do ano de 2009 e montei a lista abaixo. Como ela mesma sugeriu, vai que existam outras de vinte e um por aqui precisando de uns conselhos?

1.        Você não vai odiar para sempre as segundas-feiras. Acredite em mim quando digo que você vai encontrar prazer em levantar para trabalhar. Será um estágio, com tempo limitado, mas, uma experiência incrível que te fará descobrir muito sobre você mesma. Como por exemplo: Sua paixão por sala de aula – parece mentira, eu sei. E o interesse e desenvoltura para falar sobre sexualidade com adolescentes (não ria). Leia mais sobre feminismo e empoderamento. E ah, os projetos da sua cabeça podem dar muito certo.
2.        Você vai conhecer alguém que a mereça sim. Vai demorar um pouco, certo? Enquanto isso vai focando em outros objetivos ao invés de ficar na bad toda vez que ver um casal. Quando o conhecer, no começo pensará que ele é gay. Depois de seis anos juntos – ainda sem casar e sem filhos (você não vai querer mesmo ter um), verá que a venda de uma rifa vai render muitos encontros e aventuras loucas. Será ótimo ter esperado.
3.        Pare de se maltratar tanto, principalmente o seu corpo. Um dia você vai perceber que toda essa briga com a balança não vai te levar a lugar nenhum. E irá tentar fazer as pazes consigo mesma, graças a uma onda de auto aceitação e comer consciente defendida por nutricionistas e outros profissionais. Lembrando que ainda continuará gostando muito de doces (oi, paçocas!), massas e a pipoca de cinema com muita manteiga será sua preferida. Achará muita loucura tomar laxantes, tentar vomitar e ficar longos períodos sem comer e, se arrependerá por ter feito isso e não pelo peso obtido.  
4.        Seu cabelo não é seu inimigo. Não precisa ficar se submetendo a tratamentos capilares duvidosos, afinal a chapinha sempre estará disponível para quando quiser mudar um pouco. Descobrir que pode sim se achar bonita com o cabelo cacheado (e liso também) vai transformar sua vida e rotina.
5.        Desista de tentar ser quem você não é apenas para agradar. Não é sua obrigação entreter os outros, o papel de gordinha-simpática não precisa ser seu se você não quiser. Não é que você tenha um problema, é do seu jeito ser solitária, se cansar de fazer social, evitar multidões e preferir ficar sozinha na maioria das vezes. E quer saber? Tudo bem. Lide com isso, pois você não precisa se ajustar feito roupa para caber no gosto dos outros. Aceite isso e o que parece um problema gigante, não passará de um incomodo raramente.
6.        Não meça sua beleza a partir da beleza das outras garotas. Se você prestar bastante atenção, vai perceber que as mulheres vivem se depreciando por causa de alguma coisa e isso não pode ser encarado como culpa delas ou como normal. Haverá pessoas que a acharão linda e outras que não, vida que segue.
7.        Curta mais suas primas e os amigos. Um dia esses momentos juntos, os micos e os roles serão apenas uma lembrança boa. Algumas das amizades que você jura ser para sempre não vai rolar mais daqui oito anos. Alguns serão como estranhos. E não há problema nisso, as coisas mudam para todo mundo. Portanto, durma mais na casa das suas primas, vão à igreja, na praça, enfim, se divirtam, riam. No futuro, outras preocupações vão preencher o tempo e quase não vai dar para se ver mais.
8.        Parece mentira, mas não é: ir à igreja não será tão importante assim. Tanto para você, como para as pessoas que insistiam para você ir. Os rituais, todos eles parecem cruciais agora, mas no futuro, buscar conforto em Deus vai ultrapassar a ideia de lugar. Você vai sentir saudades e até pensará em frequentar templos, tudo isso sem um pingo de sentimento de obrigação.
9.        Não jogue a culpa toda nos seus pais. Você poderia estar melhor se eles tivessem feito isso ou aquilo? Talvez. Porém, chega um momento no qual a gente precisa começar a se responsabilizar pela vida de agora e pelas consequências das próprias escolhas. E ai você vai ver que eles foram até onde conseguiram e fizeram o que podiam, do jeito deles. O seu convívio com seu pai não será uma Brastemp, as brigas acabaram, por falta de relacionamento mesmo. Ele foi à sua colação. E a sua mãe abriu uma cantina e realmente vocês não podem mais morar juntas.  

10.     Busque ajuda: faça terapia! Se eu pudesse resumir essa lista em apenas um item seria este. Sério. Caso não tenha dinheiro para pagar um psicólogo, converse com alguém de confiança, sobre todas essas coisas doloridas ai dentro. Não guarde só para você. Fará um bem e uma diferença enorme. Você vai ver e no fim desejará ter feito isso muito antes. 

E você? Quais seriam seus conselhos? 
Feliz natal!
14 de dezembro de 2017

Me formei.


Esse mês começou estranho. 
Bem, eu imaginava que seria assim. Meu estágio acabou e não fui efetivada. Talvez pelo fato de não ter dado meu sangue... sangue mesmo. Acabei concluindo que patrões, chefes, lideres e outros "valorizam" alguém conforme o grau de disposição para se deixar escravizar. Enquanto eu fazia o meu serviço muito bem, mas no horário correto, outra estagiária - que foi efetivada - fazia hora extra como se já fosse um funcionário. Pensei sobre isso. Talvez se eu tivesse feito isso também, quem sabe não estaria agora desesperada por um emprego. 

Me formei. 
Eu lutei por isso e venci. Porém, não consegui comemorar a formação como deveria.  Estou me sentindo pressionada pelos boletos, gostaria ao menos de umas férias, poder descansar. Ninguém te prepara para a sensação de vazio que vem após sair da faculdade. Apenas repetem "você vai sentir saudades", como se você realmente sentisse algo de fato no último ano - além do desejo de acabar logo. E as pessoas perguntam o que vou fazer. Não sei como responder.  Estou procurando pistas, na verdade, procurando emprego - qualquer um, depois penso nisso. Alguns colegas estão bem, não precisam trabalhar, outros já foram efetivos, uns vão casar ou montar consultório. 

Eu preciso trabalhar. 
Todos os dias, ligo o computador e envio currículos. Cinco vezes por semana faço um serviço temporário no comércio da minha mãe. Lavo pratos, sirvo comida, cuido do caixa e vou ao mercado. Posso não saber direito o que eu quero, mas sei muito bem o que eu não quero e isso já é um bom começo. Eu deveria mesmo me arriscar mais. Aceitar coisas novas. Ainda tenho muita dificuldade com isso, prefiro minha zona de conforto e segurança. É um erro, eu sei. Não quero colecionar arrependimentos.