14 de novembro de 2011

Mundo paralelo...

"Pássaro negro cantando no silêncio da noite
Pegue estas asas quebradas e aprenda a voar
Toda sua vida
Você só esperava por este momento para surgir
Pássaro negro cantando no silêncio da noite
Pegue estes olhos fundos e aprenda a enxergar
Toda sua vida
Você só esperava por este momento para surgir ..." 
[Blackbird - Foo Fighters]
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As cores oscilavam em vermelho, azul e amarelo. O chão vibrava com todos os decibéis, fazendo os corpos se impregnarem dessa pulsação a cada batida do alto-falante. Alguma canção do Foo Fighters varria o ambiente. Pessoas ao redor, eram vultos com copos de cerveja, mãos erguidas, gritos histéricos e pés dançantes.

Superficial. Foi tudo que eu consegui ser. “Ah, não sei... Esse é o meu jeito.” Balbuciei soltando os braços do lado do corpo. As duas amigas dele, gentilmente queriam conversar comigo, depois que ele se afastou para buscar cadeiras. Atendi ao pedido, por que eu também desejava falar, mas o resultado não foi satisfatório. Formaram-se pedras na minha garganta, com assuntos subindo até a boca e despencando no meu estomago.

Culpei a maioria dos intervalos escolares em que eu passava na biblioteca, para fugir das provocações dos meninos, ajudando aquela senhora a guardar livros ou a tirar poeira das prateleiras. Era meu mundo paralelo, distante das brincadeiras, dos papos nas rodinhas de meninas. “Hoje, trabalho em dupla, crianças!” Era um arrastar de cadeiras, mas eu nem me movia, abria meus materiais, estava bem sozinha. “Posso sentar com você? Eu não sei desenhar”. Pronto. Eu tinha alguém provisoriamente.

As pessoas não permitem que as leiam, além de suas capas, depois de seus epílogos, pois não querem que tenhamos conclusões. Preferem ser esta resenha inacabada, este capitulo incompleto. Porque, se mesmo após completos os livros permanecem conosco?  O silêncio, aprendi, também fere, afasta e induz. Mas isso... Percebi tarde demais.

9 comentários:

  1. Um texto tão bem escrito e tão triste... São muitas dores enquanto caminhamos, muitas vamos perceber quando já adiantamos o passo. As vezes tenho vontade de lhe dar colo, mas silencio... hoje resolvi oferecer...
    Beijinhos cheio de carinho!

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  2. Ai florzinha,
    o triste mesmo é que não importa o quão estejamos abertos para sermos lidos, algumas pessoas simplesmente não se importam em nos decifrar...
    Quanto a estes preguiçosos, que vivam na mediocridade! Somos livros bonitos demais para sermos desperdiçados ;)
    hieheioeuheiuhe

    Tenha uma otima semana! ;*

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  3. Algumas vezes o silêncio é mais letal que um berro. Em outras, ele é simplesmente o grito.

    Tu tem o dom da escrita, esse, por favor, não silencie jamais.

    Abraços enormes em ti.

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  4. "As pessoas não permitem que as leiam, além de suas capas, depois de seus epílogos, pois não querem que tenhamos conclusões."... Pensamentos compartilhados bem interessantes. Gosto da maneira que desenvolves teus textos.

    Um grande beijo.

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  5. Oi minha amorinha linda, que saudade eu estava dos seus textos!
    :* ♥

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  6. infelismente tudo se resume em aparencia ... quando se abre o livro ..ai sim vem a decepção ... bom feriado linda !

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  7. Linda! Sei como é estar só numa multidão, e tentar sorrir quando não dá!
    Mas escreves muito bem, parabéns.
    Beijos, força e controle e ótima semana!

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  8. Eu nunca fui popular entre as gurias, elas sempre me excluíram, então sempre tive amigos homens.

    Passar recreios na biblioteca era natural pra mim também.

    Temos coisas em comum.

    Hey, Dona Fada, não para de escrever, tá? Pelo amor de Deus, não para!

    =)

    Um beijo.

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  9. quem dera podermos escondermos do mundo nos braços de quem amamos?
    o mundo as vezes é injusto.
    + quem somos nós pra julgar?
    bjs

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