11 de junho de 2012

Árvore sem floresta.



No display do celular apareceu MÃE CHAMANDO. O Feriado é branco e frio, já faz um tempo que levantei. Atendi resmungando como se, ela estivesse a horas me gritando de qualquer parte da casa, para ajudar a lavar a louça ou recolher a roupa do varal. Vou mesmo embora, afirmou. Acho que perguntei quando. Por que ela me alvejou de argumentos, alguns eu nem precisava escutar. Então voltei aos meus quinze anos só para revê-la parada na porta, com uma mala em um dos ombros dizendo que acabou o casamento. Na hora a gente pensa tanta baboseira, do tipo quem vai lavar a roupa e cozinhar? Nesse dia fui dormir com a garganta entupida de porquês.

Na sexta-feira à noite, sentada em cima dum tapete rendado, na sala da casa da minha mãe, selecionava diante do guarda roupa aquilo que iria levar. Só me restava uma caixa com uns livros e ursinhos de pelúcia sujos e velhos. Olhei para o móvel de cor branca e tabaco, que comprei com meu próprio dinheiro, pensando no quarto que eu iria montar e agora vendia por menos da metade do seu preço. Isso lembrou de que eu não tenho um lugar próprio, então um sentimento de fracasso subiu à cabeça que nem bebida forte, deixei-me embriagar. 

6 comentários:

  1. Esses são o tipo dê coisas que acontecem, que não há o que argumentar... A única coisa que se pode fazer e esticar os braços e acolher em um bom afago a pessoa que a gente respeita e gosta... Se precisar gritar sou todovouvidos... Abs

    ResponderExcluir
  2. Suas palavras são simplesmente maravilhosa, se não fosse sua realidade e sua tristeza.
    É muito tirste vivênciar tudo isso!
    Espero que fique bem. Se é que é possível!

    Abraços!

    ResponderExcluir
  3. Seu post me faz lembrar do desejo que tenho em sair de casa e o medo de sair levando apenas meu corpo e os livros; nada mais!
    Fica bem garotinha.
    Boa semana.

    ResponderExcluir
  4. desejo toda sorte do mundo!!! Me lembro quando sai de casa apenas com as roupas e livros, nada tinha de meu... facil não é! mas com o decorrer da vida vemos que é necessario. bjocas

    ResponderExcluir