27 de agosto de 2012

Companhia na solidão



"Mas, se tu me cativas nós teremos necessidade um do outro..." - O pequeno príncipe 
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Detém uma lagrima com a manga do seu casaco, não aqui e nem agora, diz pra si mesma. Planeja no horário almoço por tudo aquilo ali para fora, escoar pelo ralo da pia todo este choro azedo que já está com validade vencida no seu peito. Come o restante do esmalte da unha, o gosto não é tão amargo como desse mês de agosto. Essa tristeza a obriga esconder o chocolate branco lá no fundo da gaveta, antes que acabe devorando tudo, pois precisa matar essa fome que é de tudo, menos de comida.

Sua única certeza é que não quer mais ficar sofrendo assim, de dar pena, por qualquer bobeira. Sem ser adepta à bebida para esquecer, vai se embriagar de livros, tanto quanto puder ler, ininterruptamente um atrás do outro. Antigamente quando fazia isso, estar sozinha consigo não era um problema, mas oportunidade de avançar páginas inteiras. Perdia - se de si e dos outros, ninguém tinha acesso a ela, ninguém sabia o que acontecia na sua vida, ninguém parecia querer saber, na verdade.

Não se incomodava. Bom, talvez só um pouco, mas deixava pra lá. Sempre foi individual, na escola odiava trabalho em grupo, quando não estava quieta na sua mesa, era vista com apenas uma companhia. Então por que logo agora, na idade em que as pessoas perdem a maioria dos seus amigos, ela deseja ter muitos?    O seu problema era superestimar quem lhe dava um pouco de atenção num momento e quase nem a reconhecia depois.  Erguia pedestais que permaneceram vazios, retribuindo a aproximação com a gratidão de um cão de rua ao receber um pedaço de pão.

Sua tendência é orbitar ao redor dos outros, como se uma pessoa pudesse mesmo preencher todos os seus vazios existenciais. Não, ninguém é tão disponível como um objeto na estante em que você possa a qualquer momento alcançar. A paixão inicialmente fez os seus livros empoeirarem na prateleira, mas já está mais do que na hora pegá-los de lá, limpando-os com a certeza de que a solidão não é a sua inimiga. 

8 comentários:

  1. Oi querida, como sempre lindo seu post me recordou os momentos que os livros eram meus amigos que saudade, gostaria de voltar no tempo quando tinha prazer em ficar só com um livro.Bjs

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  2. Amei e ao mesmo tempo me sentir triste ao perceber que já me sentir assim e ainda me sinto um pouco. Ta passando mais nos livros parece que a realidade some e é melhor enfrentar um problema num livro do que na vida.

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  3. Então por que logo agora, na idade em que as pessoas perdem a maioria dos seus amigos, ela deseja ter muitos?

    Como sempre lindo teus textos, Vihh *_* Sempre falando de você e acertando o que acontece dentro de mim... ;) Obrigada por existir, eu te admiro muito e tenho um carinho imenso por ti *_* Obrigada por tudo :P

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  4. uau... me vi em seu texto!!! era assim antes de ter meu baby... ele preenche meu tempo e acaba com minha solidão, mas mesmo assim sinto falta de amigos verdadeiros

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  5. Ah flor... O amor e a vida são tão complicados... Mas quero muito que você não chore mais!

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  6. Oi aki é a samyra flor é a primeira vez q entro no teu blog e simplesmente amei. Vc me descreveu nesse post é exatamente assim q me sinto. Bjos linda!

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  7. (... precisa matar essa fome que é de tudo, menos de comida.)

    idem

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