25 de setembro de 2012

Sobreviver com isso


"Faça uma lista de grandes amigos,
quem você mais via há dez anos atrás…
Quantos você ainda vê todo dia ?
Quantos você já não encontra mais?
Faça uma lista dos sonhos que tinha…
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre…
Quantos você conseguiu preservar?
Onde você ainda se reconhece,
na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora…
Quantos mistérios que você sondava,
quantos você conseguiu entender?
Quantos defeitos sanados com o tempo,
era o melhor que havia em você?
Quantas mentiras você condenava,
quantas você teve que cometer ?
Quantas canções que você não cantava,
hoje assobia pra sobreviver …
Quantos segredos que você guardava,
hoje são bobos ninguém quer saber …
Quantas pessoas que você amava,
hoje acredita que amam você?"
- A Lista - Oswaldo Montenegro



Acho que eu sinto saudades de coisas que nunca existiram, de momentos nunca vividos, senão dentro da minha imaginação. Enquanto todos os outros sentimentos vão sem se despedir, é a saudade que vai ficando, restando, sobrando. E eu sou como aquele bloco de concreto recém-cimentado, isolado para evitar marcas e endurecendo aos poucos a olho nu. 

Repreendo-me sempre por às vezes sentir mais falta das sensações do que das pessoas em si. E quando eu deixo alguém ir, acredite, alcancei o meu limite mais difícil de atingir. Talvez eu tenha criado um modelo de amor só para mim, feito sob medida, inexistente do meu lado de fora.  


7 comentários:

  1. Acho essa música linda! .. . É a canção favorita daquele cara inteligente Paulo André - jogador do Corinthians .

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  2. Seu blog continua no meu favoritos. Nunca vi alguém escrever tão bem de um jeito tão próprio, sendo tão forte e tão fragilizada ao mesmo tempo. Tão doce e tão sincera. É muito realismo para poucas palavras. O despertar de muitas sensações com tão profundas entrelinhas, por assim dizer.
    Sempre que eu venho aqui eu sou forçada a repensar alguns dos meus conceitos tortos sobre a vida, e, ultimamente, tenho me preocupado muito, porque para além de conceitos, suas postagens tem me atingido em meus sentimentos mais ocultos. Elas estão mudando uma parte da minha postura. Assim, claro que mudando para melhor, para algo mais positivo.
    Mas sabe, há algumas coisas que você fala que realmente me perturbam. Não que seja sua culpa, mas é que eu não queria acreditar que algumas delas fossem verdades (especialmente as que se referem ao amor, etc). E, infelizmente, elas são - eu constato com meus botões e engulo a dor aqui dentro-, elas são mesmo a mais pura verdade, embora eu não devesse admitir...
    Enfim, gosto muito daqui. Gosto muito de você.
    Acho que o comentário ficou um pouco confuso, rsrs. Apenas gosto do que escreve. E sempre leio, mesmo quando não comento. É porque, na maior parte do tempo, eu fico sem saber o que dizer...
    =**

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  3. Poxa... que lindo e ao mesmo tempo triste.
    Meus olhos molhados que o digam.

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  4. Essa música é incrivelmente bela!
    Vem cá, me deixa colocar você no colo... e abraça-la bem forte.

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  5. Sim, só resta a saudade do que nem sequer ainda sentimos, ou mesmo apenas das sensações vividas. Porque tesouro maior é o que se sente, é a marca concreta pela qual podemos dizer que vivemos.

    E você me parece ser alguém que sente na intensidade e tudo flui com uma força maior, talvez isto é que te define, é o que faz a gravidade das coisas te consumir. Você absorve, você suga a essência ao redor e pressente, sente com uma sensibilidade única e aguçada.

    Você tem luz. Tem!

    Beijo!

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  6. 'Quantos defeitos sanados com o tempo,
    era o melhor que havia em você?'
    Ao ler isso eu senti uma parte de mim girando e despencando no fundo do meu estômago. É aquilo: ninguém sabe qual o defeito que sustenta seu edifício e ao cortá-lo... bem, as coisas ficam ainda piores.

    Sinto mais falta de sensações do que de pessoas... Algumas até eu tenho ao meu lado e sinto falta do que eu um dia senti e não sinto mais. É difícil, parece egoísta, mas tento conviver com essa saudade estranha, esse amor às avessas...

    É estranho entender cada palavra que você escreve aqui... Chega a ser doloroso até. Adoro seu jeito de escrever. Suas verdades me sacodem, me rasgam e arrancam lágrimas dos meus olhos, mas de alguma forma eu não consigo não lê-las. Me faz bem. Tanto que na falta de novas postagens eu saio em busca de postagens antigas que eu não li...

    Se cuida, linda.

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