29 de novembro de 2012

Algumas carapuças


Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir. Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar. Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal [...]


— Fabrício Carpinejar
______________________________________________________

Ela foi bem clara ao dizer que não nos quer mais lá. Antes, o que fora diagnosticado como câncer, na verdade não passou de uma infecção urinária. Simplesmente não somos mais “necessárias”. Ele está morrendo, mas é devagar.  O médico deve ter rido quando afirmou “esse daí vive mais uns duzentos anos.” O profissional ganhou o seu dia, mas, ela não. Nenhuma covinha de alegria surgiu em seu rosto. Isso não teve graça, pensou. Assombra-me o fato de que um dia, nesses cinquenta e dois anos de casados, ambos estiveram apaixonados. Para mim eles são o exemplo perfeito da má colocação conjugação do verbo amar.  

 Quem sabe a minha presença fantasma – por que alguém que sai de casa as seis e retorna quase meia noite todo dia não deveria ser considerado morador – deve incomodar, não sei. Para aonde ir? Não cabemos mais na nova vida dos nossos pais. Não há um cômodo vago em suas casas, não há um quarto antigo que tenha sido meu quando criança e ainda abrigue as minhas coisas, entre elas alguns brinquedos. Nenhum deles pensou em nos tirar daqui, nenhum deles perguntou se queríamos sair, se estaríamos felizes morando aqui por que não temos outra opção.

Não quis comentar, mas achei bem deprimente o fato da minha mãe querer minha irmã ou eu morando com ela apenas para cuidar da caçula enquanto trabalha. Sim, eu sou adulta, já passei da fase de querer ser veterinária por causa dos cãezinhos da rua, tenho vinte e tantos anos e ainda não sei o que fazer desta estatura, ela deveria responder se eu me tornei o que queria, pois cresci. Analisando, minha mãe só precisa de ajuda, como todos nós em algum momento.

Deveria ser mais fácil, pedir. Deveria ser mais fácil encontrar gente que te ajuda sem isso lhe parecer um sacrifício enorme. Cada vez há menos pessoas assim: interessada realmente no outro. Hoje, a ajuda pode ser postada no seu mural. Menos contato humano, mais amigos na rede social. Essa carapuça,  serve primeiro em mim.   

5 comentários:

  1. Olá. Eu me disponibilizo a tentar lhe ajudar no que eu puder, e isso NÃO será um sacrifício para mim. Estudo psicologia, e tenho um transtorno chamado Borderline, o que obviamente atrapalhou muito a minha vida, porém estou muito bem hoje em dia e sei que, posso sim, ajudar as pessoas a se ajudarem, como amigo é claro, pois ainda não me formei. Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  2. Srta. Vihh, eu também gosto muito das letras do Fabrício... e lhe entendi perfeitamente... [sorrio] Srta., a propósito, por acaso, gosta de ler literatura amadora? Quer ver onde a coisa segue russa?>>> O http://jefhcardoso.blogspot.com anseia por seu comentário. Abraço!

    ResponderExcluir
  3. Oi meu amor! Lembra de mim "borboletas no estomago" ?
    Apaguei meu blog por uns tempos, mais creio que até no natal estou reabrindo, conto com a tua doce visita..

    "Cada vez há menos pessoas assim: interessada realmente no outro."
    as pessoas hoje em dia só quer saber de si, isso é pior do que qlq doença..

    ResponderExcluir
  4. oi (: tem dois sorteios no meu blog, espero sua participação. SORTEIO 1: http://segredos-deamigas.blogspot.com.br/2012/11/1-sorteio.html SORTEIO 2: http://segredos-deamigas.blogspot.com.br/2012/12/2-sorteio-de-natal.html

    ResponderExcluir
  5. Srta. Vihh, gostaria apenas de dizer que adoro ler suas postagens, sinto que temos muita coisa em comum e que sua página expressa muito o que as vezes costumo sentir. Espero que você continue com o que está fazendo, é ótimo!
    Beijinhos da Vicky

    ResponderExcluir