20 de fevereiro de 2013

Queimadura de terceiro grau.




Não tem ninguém esperando eu chegar ao descer do ônibus. As luzes estão apagadas e à medida que adentro a casa posso ouvir a respiração dos meus avós, pesar no silêncio. Afasto a escuridão acendendo a luz do meu quarto. A solidão pergunta como foi o meu dia e eu a ignoro. Ela está maior hoje, percebo enquanto me cerca. Como foi que cresceu? Pergunto pra mim mesma. Talvez tenha sido por causa desse sentimento de rejeição que eu não consigo afastar da minha cabeça às vezes. Lembro-me de um estudo da Universidade de Michigan, ele explica que a “rejeição social ‘machuca’”, tanto como queimadura.

E eu sinto saudade das pessoas, mais do que gostaria de sentir na verdade. Saudades dos meus pais. Do tempo em que eu não precisava “agendar” um dia especifico dentro de um mês ou uma semana para vê-los. Agora eles têm as suas vidas e eu não consigo afastar a sensação de me sentir apenas uma visita. Saudades de alguns parentes e amigos, com quem tento inúmeras vezes manter contato, porém o interesse não é mútuo e eu acabo no final sentido pena de mim. Saudades de um montão de coisas.

2 comentários:

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  2. A vida adulta (as responsabilidades) nos traz consequencias muitos chatas... umas delas é essa sensação de saudade, de ter que "agendar" um dia para ver alguém que gostamos... é muito complicado!

    Abraços!

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