10 de abril de 2013

Utopia do eterno




Tento compreender o motivo de por diversas vezes ser assaltada por um pavor do futuro.  Eu deveria deixá-lo bem quieto no canto dele, como – aparentemente – as outras pessoas fazem. Mas, não consigo, não é tão simples assim. Na minha idade eu me imaginei num lugar bem diferente, fazendo outras coisas, sendo outra pessoa, ao invés da que me tornei. Quando a gente é pequena e vai à escola de mochila de rodinhas e lancheira colorida, lá pela primeira, segunda até a quarta série, as menininhas, aquelas suas colegas que te escolhem pelo seu lanche, conhecem umas músicas engraçadas, você deve se lembrar.

Enquanto os meninos estão brincando de “lutinha” na hora do recreio, você e essas meninas entoam batendo palmas “com quem, com quem será que a fulana vai ser casar, loiro, moreno, careca, cabeludo, rei, ladrão, soldado, capital, estrelinha azul...”. Isso era levado a sério, se você virasse partido de ladrão seria motivo de zombaria até o fim da aula. Contudo, noutro dia, graças à memória curta infantil, você poderia tentar a sorte de novo.  Um dia desses, um colega de faculdade comentou que nunca nos esquecemos de quem gostamos pela primeira vez, ele até usou como exemplo uma garotinha da catequese, com a qual nunca trocou nenhuma palavra e pela qual aguardava ansiosamente o momento da saudação.

Verdade ou não - as  feministas batem o pé afirmando que não, toda garota vai sonhar com um príncipe encantado nem que seja por um milésimo de segundo da sua vida, somos programadas desde pequenas para isso, basta ter como exemplo os desenhos animados. Com uns doze anos ou um pouco mais, eu imaginava que na minha idade hoje já estaria casada, talvez com um filho no máximo, dividindo uma casinha de cor azul com cerca branca com um homem bom e diferente de todos que conheci anteriormente.  Alguém para construir uma história comigo, não apenas encaixar situações financeiras aparentemente estáveis dentro de uma instituição meramente social, como se isso fosse uma receita pronta.Quem pode me culpar por isso? São pressupostos da sociedade. 

Entretanto, uma hora ou outra você cresce (amadurecimento?) e, por exemplo, no meu caso eu passei a ler menos histórias relacionadas a amor – passando de ficção cientifica a contos de terror. Aconteceu pouco depois que os meus pais se separaram, quisera eu ter tido referências melhores. Hoje, às vezes eu busco preencher alguns vazios com outras pessoas, em vão, pois este mundo está cada vez mais individualista. A minha disciplina afirma que você não se basta, então sempre estará precisando de alguém.  Devido a isso, acho que sempre iremos vou continuar acreditando em relacionamentos eternos (não estou falando em casamento), por maiores que as decepções sejam, elas não conseguem sufocar essa nossa utopia, ainda bem! 

5 comentários:

  1. Parece besteira para muitos, mas eu ainda vivo me agarrando à ideia de encontrar alguém pra vida toda... A cada nova paixão, cada nova amizade, eu desejo que seja pra sempre e não quero mais desgrudar da criatura...
    Acho que somos movidas por esse sonho, essa esperança, porque no momento em que acreditarmos que nunca seremos felizes para sempre, nossa busca de toda a vida vai ter sido em vão.
    E quando encontrarmos, nunca teremos certeza porque é aquilo de ter medo de realizar os sonhos e não ter motivos para continuar vivendo. Bem, eu acho que não restaria muito de mim se me tirassem a esperança de ser feliz com alguém...

    Enfim, desejo que você encontre seu príncipe encantado ou que pelo menos se divirta procurando-o :)

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  2. Poxa, lágrimas nos olhos.

    Parece que temos isso em comum. Eu também imaginei que aos 21 estaria vestindo um terninho elegante, voltando pra casa no meio da tarde, com uma criança me esperando. Faríamos o jantar, esperaríamos por aquele que seria meu marido.

    haha

    Mas eu ainda tenho fé.

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  3. Realmente, o seu texto ou melhor, a nossa realidade, é o reflexo de que somos até hoje,desde que cantamos a músicca do pular corda!
    Nunca imaginamos está como estamos na idade que estamos agora, imaginávamos outras meninas, outras mulheres... com coisas totalmente diferentes! Mas a realidade é esta, e a vida nos leva a caminhos que não escolhemos, muitas das vezes, mas que devemos seguir, mas não como já pre destinado, sim, ainda bem que temos escolhas, e poder de mudanças, por mais difícil que pareça.

    Podemos mudar sim, e não devemos nunca parar de sermos que um dia desejamos ser, quando cirança. Pois o sonho de ter uma pessoa que divida não somente os problemas financeiros, mas tudo em nossa vida, pode sim, ser realdidade, basta nós ser realisticas, e não pensar que tudo na vida é uma conto de fada, pois não é! Mas também não podemos achar tb que tudo é um filme de terror ou uma utópia. Pois, eu seu, hoje que não é!

    Eu particulamente, não imagina aos 25 como estava... e hoje também não imagina estar assim... sonhando com coisas que um dia disse que nunca queria ou faria. A vida, tem caminhos que não imaginamos... e então, vamos vivendo, e adaptando conforme a música toca.

    Não é utópia o sonho de ter alguém... de realizar o que desejamos um dia... temos sim, que continua.

    Espero que consiga, vença este medo, que vc tem. Que eu sei, que é bem real, e viver tudo que vc viveu até agora, não é fácil, é uma realidade, que muitas não aguetaria.

    Forças!

    Beijos Lia*

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  4. que saudades dessas postagens maravilhosas que nos faz refletir!
    estou voltando amg hehe
    força viu?
    seu post me deu uma vontade de ser criança novamente rsrs

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  5. Hoje meu coração está tão partido que vou ficar só com a frase da imagem... Beijos

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