8 de janeiro de 2014

A ausência dorme ao lado.



Alguns simplesmente não se dão conta da sorte que tem. 

Nesse primeiro ano cursando psicologia aprendi que a família é um fator crucial na construção da estrutura de uma pessoa - uma ladainha que todos nós estamos cansados de saber. O que nem todo mundo sabe ou, finge não dar importância é que em terra de divórcios, quem tem pai e mãe juntos e felizes, é rei ou rainha. Digo pais de verdade. Não essas pessoas que por descuido pessoal, do destino, imaturidade... Tanto faz (!), somado ao fato de não quererem mesmo, carregam esse substantivo por toda vida com tanta desvalia que, essa posição deveria ter a opção de ser revogada. 

Fez dois meses no último dia vinte e seis do falecimento do meu avô paterno. Ele nunca foi um bom pai. Pude observar o quanto os seus quatro filhos sentiram falta disso em seu enterro. Junto com o seu caixão tantas expectativas foram sepultadas, cada uma das chances que ele tinha de provar o contrário estão agora sete palmos abaixo da terra. Fiquei aliviada por ter partido tão logo que o câncer começou a sugá-lo com as suas garras impiedosas, mas eles queriam mais tempo, não sei o quanto, apenas mais tempo com alguma atitude que apagasse o sentimento de serem órfãos há bem antes da sua morte. 

Receio sentir esse mesmo vazio daqui uns anos. Felizmente, algumas pessoas conseguem transpor a barreira de retribuir somente que receberam de seus pais (numa cópia perfeita como é da nossa natureza) e, decidem ser bem melhores com os seus filhos. Uns nem tentam. Outros começam bem, mas como o meu pai se perdem por algum motivo no meio do caminho. A sua esposa saiu de casa há dez anos com uma mochila a tiracolo - o que restou de um casamento de dezesseis anos e não nos levou, entretanto, foi como se tivéssemos ido com ela. Quando nos notou sob o seu teto, depois de três meses da separação e com uma nova companheira, parece ter sido a partir do dia em que foi até o juiz solicitar pensão e oficializar o divórcio.

Não o vejo como um vilão, apenas como um desconhecido que me deu um sobrenome, alguém com quem eu tinha bastante contato e que de repente, tornou-se um estranho. Só acho que todas as garotas deveriam ter ao menos um grande homem na sua vida, seu pai, um avô ou até um tio para se inspirarem e, não achar que os todos caras são idiotas. Se você tem alguém cujo nome pode ser incluído numa dedicatória de uma monografia por apoio, alguém que se preocupa se você tem o que comer o que vestir e interesse sobre como foi o seu dia, escuta: você tem bastante sorte na vida. 



7 comentários:

  1. Nunca morei com meu pai, ele e minha mãe se separaram quando nasci, e o vejo mais ou menos uma vez por mês. Não sei se sinto falta de tê-lo mais perto, mas gosto dele. Vejo que ele se esforça para me acompanhar, não dá muito resultado mas para ele é bastante coisa, acho ele não sabe ser muito presente porque meu avô também não foi muito presente com ele. É triste, ele perdeu muitos momentos importantes da minha vida, e vejo que isso o afeta mais do que a mim, gostaria de poder voltar no tempo por ele...
    Mais um texto lindo, beijos!
    http://nicolebona.blogspot.com.br/

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  2. Olá, interessante essa linha de pensamento, acho que é assim com a maioria dos casamentos fracassados, eu digo que tive pai até os 18 anos, hoje tenho 25 e um filho de 4 anos que só mês passado foi descobrir que tinha um avô, mas devo dizer que fiquei muito feliz em ver meu pai depois de tantos anos fazer algo de PAI.
    Beijos e fica bem.....

    Faz tempo que eu não vinha aqui, fiquei feliz em saber que conseguiu entrar na faculdade =)

    Parabéns.

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  3. Meu pai é só um sujeito que engravidou a minha mãe, ficou um tempo no mundo sem querer saber de mim e agora se magoa por eu não ter tanto afeto assim por ele, na verdade ele nem liga tanto.
    Nunca parei pra pensar que poderia ser pior, meu avô é o melhor pai do mundo.
    Tem gente que não tem a mesma sorte, nunca me dei conta da sorte que tinha. Obrigada.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Oi minha linda, saudades enormes. Hoje lembrei que ainda tinha um cantinho pra desabafar e adorei ver que ainda mantêm o seu!! Adorei os posts. Vamos manter contato lindona. Bjos enormes

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  6. Bem interessante essa sua forma de pensamento, não sinto e nem imagino como seja essa sua "dor", mas acredito que cada um tenha a sua sorte na vida.. Reflita e descubra qual é a sua :)

    Bjs
    http://transformesecomlinhastortas.blogspot.com.br/

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  7. Eu posso dizer que tenho a maior sorte do mundo. Meu pai sempre foi presente.... sempre tive orgulho dele, mesmo tendo seus defeitos, como todos nós seres humanos. Minha mãe veio falecer ao lado dele, como todo apoio, carinho mesmo com seu transtorno, ele mesmo não entendo conseguiu de algum modo ajuda-la e criou seus 4 filhos com muito amor e, ainda continua a cria todos, mesmo todos casados!

    Sinto muito por vc!
    Realmente, um pai faz muito falta, digo isto, pois meu marido tem essa ausência e sei o quanto sofre com isto até hoje, mesmo dizendo que não liga.

    Abraços!

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