11 de março de 2014

Isso não é um adeus - Parte I



Já podia sentir o gosto do mar. Salgado. Áspero como língua de gato, lambendo meu corpo todo com aquela brisa úmida e pesada, típica das praias. Do lugar em que estava, pude observar uns banhistas se sujeitando as ondas antes que a noite desabasse de vez, enquanto umas mães recolhiam suas crianças aos gritos, resmungando ao tropeçarem num projeto de castelo de areia. Quem me via, podia jurar que era só mais uma lunática, daquelas que poluem a areia branca com seus cigarros, bebidas e outras coisas.

Pelo menos era isso que eu achava dos poucos que me notavam. Até ali, naquele momento eu nunca fora uma pessoa notável, apesar da minha aparência desgrenhada, de pés descalços e cabelos bagunçados, eu sempre tentei permanecer na linha branca, ‘do bem’ – seja lá como for que chamam isso, da vida. O sol estava se pondo, só assim eu conseguia separar o que era céu e o que era mar, por causa daqueles raios laranja, seus últimos raios de tchau. Logo mais o farol ligaria seu facho de luz na negritude, surtindo em mim o efeito de uma luz no fim do túnel.

Pouco a pouco fui ficando sozinha. Um senhor com andar encurvado e expressão carranca era a minha única companhia, de longe ele olhou alguns instantes na minha direção, para a garota que tentava controlar o vestido esvoaçante sentada nas rochas a poucos metros dele, só então voltou a recolher pacientemente o lixo espalhado na areia. Ficar só não era o problema, você acaba se acostumando com as circunstâncias. Afinal, encontrei o seu bilhete no seu lado da cama com a inscrição “isso não é um adeus”, só isso, nada mais. Horas atrás. Quando eu voltava da padaria com dois sonhos recheados com chocolate, talvez eu devesse ter comprado mais um.

Pois, perdera um dos meus.


Lembro-me de ter deixado a sacola de qualquer jeito no chão. Não sei por quanto tempo deixei de respirar enquanto segurava o bilhete, quase o amassando entre os dedos. Não dei moral nem quando o freud, nosso (ou só meu agora?) cão, enfiou o focinho entre os doces. Vasculhei as gavetas procurando indícios seus, qualquer coisa que indicasse o seu paradeiro. Mas, descobri minutos depois da histeria que, era como se os seus cabelos nunca tivesse se espalhado no travesseiro do lado do meu. 

Ps: Estou pensando em escrever um livro, peço que deixem suas sugestões sobre a continuidade da história e críticas. Será muito importante e desde já agradeço. 

6 comentários:

  1. Eu vou simplesmente PIRAR de ansiedade se tu começar a escrever um livro e eu precisar esperar meses para lê-lo. Você é incrível, uma das melhores escritoras de blog que conheço, acho que já passou da hora de começar a escrever um livro :)

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    1. Anne, muito obrigada pela sua opinião! Vou considerá-la com muito carinho.

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  2. Sarah, você é uma das pessoas que mais me impressionam no que tange à escrita. Para ser honesta, de tanto que me habituei com seu espaço e de tanto que admiro seu jeito singular de escrever, sinto até um incômodo quando entro aqui e vejo que você não redigiu nada, nem atualizou o blog. Sinto uma ausência doída de quem quis ouvir as palavras certas, sabe onde achá-las, mas não pôde escutá-las, pois quem as diz, por uma ou outra circunstância, não pôde falar. Saiba ainda que, embora eu tenha deixado de comentar muitas vezes por aqui, nunca deixei de acompanhá-la no meu silêncio.
    Dito isso, ressalto que concordo plenamente com a Anne Darkness e, que ela me permita, também acho que já passou da hora de você escrever um livro. Eu compraria e leria com muito carinho, afinal, gostaria de me aprofundar na "Sentimentalista" que por tantas vezes tocou e toca meu coração em madrugadas surdinas e com quem tanto me identifico. Ainda sobre o "Isso não é um adeus", bem, independente de como a história se desenvolva, só tenho algo a sugerir: Dê às personagens (ou a si mesma) do seu enredo um final feliz. (Até pode deixar lacunas no final da estória, quem sabe dar um gosto de dúvida ao leitor, mas só não transpareça um densenlance demasiado triste). Ao longo da vida, passamos por muitas coisas ruins sem que possamos alterá-las ou sequer abrandá-las... Acho justo então que, tendo a chance de escrever uma história independente, você se dê, ao menos uma vez, um desfecho bacana. Poderá parecer uma narrativa clichê, você pode pensar, mas não acho que você deva se importar com isso. Apenas escreva algo que a agrade e que faça bem ao seu coração, deixando de lado os finais desfavoráveis, pelos quais já passamos e sofremos todos os dias. E também porque a felicidade merece um espaço em sua narrativa de cunho tão peculiar e diferenciado...
    Enfim, partindo de você, eu gostaria de ler de qualquer jeito, eu acho. =) Desejo que lhe seja um trabalho muito produtivo, doce e bom, porque, para mim como leitora, sem sombras de dúvidas, lê-la será sempre um prazer. (Hihi, e desculpe por eu ter escrito tanto). =**

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    1. Ah, muito obrigada! Não precisa se preocupar achando ter escrito muito, pois, adoro ler. Agradeço de coração pelas palavras e é tão bom saber que posso transmitir algo com a minha história e, nunca estamos sozinhas se temos alguém que nos leia e com quem possamos compartilhar quaisquer dos sentimentos. Bjos

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  3. Aquele tipo de texto que você lê e consegue visualizar com perfeição cada trecho descrito.
    Sensacional, sem mais.

    Beijo

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  4. Como sempre lindos contos, maravilhosa poesia.. Já tens uma fã..

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