5 de agosto de 2014

Perguntas

Então ele perguntou diante de uma sala cheia se aquela questão me afetava. Claro! Que pergunta. Pensei. E respondi com uma tranquilidade assustadora, como se contasse trechos da vida de outra pessoa. Olha só, como fiquei boa nisso. Parece que nunca doeu, que não significa mais nada. Quanto tempo mesmo? Dez anos? Ou onze. Não faz diferença. A verdade é que a imagem da minha mãe com uma bolsa de viagem nas costas, dizendo que estava indo embora, nunca envelheceu. 

Você Namora? - continuou o professor. Os alunos me encaravam. Sim, respondi sem saber aonde ele queria chegar. Perguntas desse tipo devem ser normais num curso de Psicologia. E a relação com seu pai influencia algo em seu relacionamento? Falei rindo que não sabia. Encerrei o assunto e a aula prosseguiu com outros exemplos. Respirei aliviada. Voltei para minha casa, perto das vinte e três horas e, minha avó me esperava acordada para dar os parabéns. Achei tão legal a atitude dela, mesmo após eu dizer que ainda seria no outro dia. 

Qual o sentido de comemorar? Sim, eu sempre costumo ficar muito deprimida no meu aniversário. E isso é bem clichê, eu sei. É mais um dia normal, de trabalho, de telefone e campainha tocando, enfim tudo o que deveria ter. Imaginei que antes de sair para o trabalho ele viria me cumprimentar. Ele estava acordado, a poucos metros dali. Antes de ir para o ponto de ônibus tive a esperança de que meu pai viria me abraçar. Isso responde bem à pergunta que o professor fez na noite anterior. Vivo de ter expectativas acerca dos homens da minha vida, todos com base no modelo que o meu pai construiu. 

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