17 de abril de 2015

Um pouco dos meus medos.



Infância: Como toda criança, tive meus medos bobos (um beijo para o ‘homem do saco’ e para o bicho-papão’), mas fui uma garotinha bem corajosa. Daquelas que brigam e correm atrás dos meninos chatos durante os recreios. Às vezes me pergunto para onde foi essa audácia toda(?). Enfim, não tive receio de largar as rodinhas da bicicleta ou enfrentar o corredor escuro até a cozinha para beber água. Coisas simples? Sim, 

         Até a ex-caçula (agora filha do meio) ter idade o suficiente para brincar decentemente e não apenas chorar e fazer o que bebês fazem de melhor, eu brincava – e falava – por horas, sozinha. Antes do almoço, lá estava eu pelo quintal de vareta numa das mãos, alguma coisa de tecido imitando uma capa e correndo feito uma louca para combater as forças do mal. A culpa disto era do seriado Patrine Nessa época, eu me sentia forte, quase invencível e feliz. Uma hora os medos infantis perdem a força, seu amigo imaginário vai embora e você começa a ter medos reais, mais sólidos e duradouros. 

















    Adolescência: Medo de como seria a menstruação - apesar de ter sido muito bem orientada pela minha mãe, existia uma tensão, afinal num dia qualquer você acordará e passará a sair sangue de você, comigo foi aos doze anos e posso afirmar que foi bem complexo e estranho. Um trauma: um dia vazou na escola, coisa pouca, mínima, mas a professora agiu como se eu tivesse tendo uma hemorragia, não tive coragem de contar a minha mãe e depois disso sempre tive medo que isso acontecesse de novo. 

       Bem no inicio da adolescência, os parentes começaram a perguntar com quem eu ia morar caso meus pais se separassem, óbvio que eu respondia com meu pai, qual garota nunca foi apaixonada por seu pai quando criança? Freud explica. No começo eu ignorava essa pergunta, pensando se tratar de uma coisa de adulto, só depois de um tempo passei a ter medo cada vez que ouvia, até que um dia meus pais se separaram e não deu para escolher com quem ficar. A partir de então, aprendi que um acontecimento pode virar sua vida de cabeça para baixo e então descobri o temor ao desconhecido.

            Foi o período em que desenvolvi transtornos alimentares, as pessoas falavam sobre dieta para mim antes dos quatorze anos, me diziam que eu precisava emagrecer, então até os dezoito fui obcecada em fazer a balança abaixar o ponteiro. Partindo de dietas malucas, ficar sem comer, tentar vomitar e tomar remédios e laxantes. Minha autoestima se tornou subterrânea, tinha medo de engordar, dos garotos não gostarem de mim, de desagradar os outros, portanto, me tornei um modelo de garota. 


         Adulto - hoje: O medo tem outros rostos quando se está na casa do vinte anos, no meu caso perto dos trinta. Você começa a pensar nos seus pais, minha mãe nem tem cinquenta anos e meu pai tem um pouco a mais, então eles são bem jovens ainda. Porém, a saúde deles começa a declinar, alguns problemas surgem aqui outros ali e por ai vai. Uma hora vai acontecer, você sabe, mas nunca estará preparado de fato. Tenho receio de não conseguir garantir uma velhice digna para eles. 

          Existe a pressão para se dar bem na vida. Quando vou conseguir minha casa própria e finalmente sair da casa da minha avó (caso ela faleça antes disso, para onde vou?)? Ou, será que vou me encontrar na profissão escolhida e me manter com ela? Mas, nenhum desses se compara ao medo de ficar sozinha, envelhecer sozinha, não ter tido ninguém para compartilhar a vida, nem amigos, amargar a falta de um amor, não ter fotos românticas e familares na estante e ninguém para viver comigo altas aventuras até o fim dos dias. 

O texto acima faz parte da blogagem coletiva do  grupo + Que palavras.

13 comentários:

  1. Adorei seu texto. Tenho 19 anos e meus medos hoje são iguais aos seus de adulto. Não me importo tanto com corações partidos e amores não correspondidos, acho que quebrei tanto a cara que aprendi a não dar tanta importância a isso. Me importo mesmo é se vou conseguir entrar na universidade que quero, realizar meu sonho de ser juíza e se vou ter uma família, sabe? Me corta o coração só de pensar que posso nunca achar o homem da minha vida, alguém que eu vou realmente amar. Enfim, isso não tenho como controlar, a unica coisa é deixar a vida agir que o melhor tende a aparecer. Quanto a morte, tenho muito medo de perder meus pais. Não sei o que faria sem eles, sério. Fico mal só de pensar que um dia isso vai acontecer. Mas a morte é a única certeza que temos, né? Aprender a aceitar isso é preciso.
    Adoro seu blog! Já deu uma olhadinha no meu hoje? Tem várias novidades. Se quiser dar uma passadinha seja muito bem vinda.
    Beijão linda! <3

    www.tresestacoes.com

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  2. Medos, ah medos. Foi bem interessante ler esse texto, sei que muitas coisas na adolescência da mulher é bem diferente do homem - esquece a biologia rs -, assim como na infância. Acredito que as mulheres sejam mais corajosas, pra falar a verdade, mais pré dispostas, sabe? Minha infância foi solitária também, eu e meus bonecos rs muita imaginação transbordando... Bons tempo.

    A adolescência acho que deveria se chamar 'período merda', pois é o momento de batermos com o olho na ponta do prego, e quando sentimos doer, batemos outra vez rs

    Enfim, entendo parte desses medos... Mas a vida está aí, não? Deve ser vivida, os medos não deixaram de existir, então que os momentos tranquilos sejam plenos, talvez isso amenize o medo.

    É, suas palavras <3 Até mais.
    xoxo

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  3. Ai, que vontade que meu deu de tentar ter os "medos" e a coragem de quando era criança.
    Adorei seu post e me vi MUITO nele. Meus pais se separaram quando eu tinha 14 anos, nessa mesma época eu fiquei com anemia profunda e comecei a tomar remédios, com isso, comecei a engordar, e já veio aquela pressão de "você precisa emagrecer". Li sobre seus medos nessa fase e me vi, nossas histórias meio que se parecem.

    Hoje em dia, compartilhamos os mesmos medos tb.
    Medo de perder meus pais, sem conseguir que eles aproveitem de fato a vida. Medo sobre carreira, futuro e sucesso... Tão complicado, né? A gente vive cercados de informações, cobranças e comparações, impossível não temer, impossível não ficar cada dia mais ansioso pr a escolher as coisas certas, pra não errar, pra chegar "lá" (o lá que a gente nem sabe aonde é, pra falar a verdade, haha).

    Beijos.

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  4. Eu não era muito corajosa quando criança, mas também não era tão medrosa. Fiquei imaginando aqui você brincando de super herói, devia ser legal. Na adolescência tive medo do que você falou no primeiro parágrafo, e comigo foi bem assim. Sobre o mundo adulto, apesar de ter 18 anos, não me sinto adulta, mas tenho os medos que você falou.♥

    PiinkCookie.blogspot.com.br

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  5. " (...)
    mas fui uma garotinha bem corajosa. Daquelas que brigam e correm atrás dos meninos chatos durante os recreios. Às vezes me pergunto para onde foi essa audácia toda(?)."
    É o que me pergunto várias e várias vezes.

    Também amava a Poderosa Patrine, gente que saudade.

    Mas a vida adulta chega né.... e aí as coisas se complicam...

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  6. Adorei a forma como você escreveu sobre os medos, coisa mais humana, sabe? Somos cheio dos medos desde pequeninos, vivemos uma vida cheia dos mais variados medos e cobranças.. não tem como escapar, né? Só não podemos deixar eles tomarem conta de tudo e sugar nossa vida, mas sim enfrentá-los sempre!

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  7. Eu to bem apaixonadinha no seu blog! sério eu to adora <3

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    1. Obrigada, Júlia. Fique à vontade. beijos

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  8. Acredito que seus medos sejam bem parecidos com os meus, quando meus pais se separaram eu não esperava jamais que isso fosse acontecer, admito, fui no chão, uma das fases mais complicadas da minha vida

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  9. muito legal suas reflexões, Sarah. Dá um certo consolo saber que existe gente que aperta o coração da mesma forma que a gente :(
    das coisas de infância e adolescência que vc relatou aqui, tbm partilho, mas por ter um pouco mais de idade, agora tenho alguns medos que talvez vc ainda não conheça (e espero que não conheça mesmo!)
    eu já perdi meu grande amor, minha carreira não é nem de longe o que eu queria, meus pais já estão com problemas de saúde, eu queria muito ter tido um filho mas vejo minha fertilidade escorrendo com a idade e penso que isso não vai acontecer, entre tantas outras coisas. Tudo isso dói.
    Aqui dentro sempre fica um misto de sentimento, uma esperança querendo ser maior que todos esses medos.

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    1. Bom dia, Letícia. É bom saber que não estou nestas reflexões sozinha também. Sinto muito pela sua perda, espero que tenha conseguido ou ainda consiga superar um grande amor, acho que isso é um grande passo para novas oportunidades, novos horizontes. Mas, nunca é tarde para se reinventar no que diz respeito à carreira. Quanto a um filho, vejo tantas mulheres tendo próximo dos quarenta anos, minha mãe mesmo é um belo exemplo. Idade apesar de tudo não deve ser empecilho para se buscar o melhor para si. Seus trabalhos são tão bonitos e delicados como pude perceber no seu site. Você ainda tem muito a fazer, inspirar outras pessoas. Beijos.

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  10. Gostei bastante do modo como conduziu o tema, dividindo o medo em 3 partes: infância, adolescência e vida adulta. Ficou bem interessante observar a evolução e aí mesmo tempo notar que mesmo adultos, não estamos livres do medo, eles só mudaram de forma. Bjsss www.janelasingular.com.br

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