7 de maio de 2015

Carta ao corpo


A ideia de escrever uma carta para meu corpo surgiu ao ler o blog da nutricionista Ana Carolina Pereira Costa. Ela afirma que se queremos melhorar nossa relação com o que quer que seja, devemos estabelecer e manter sempre uma comunicação efetiva. Para tanto ela sugere que seus pacientes escrevam uma carta ao seu corpo. 

Parece uma coisa boba? Sim, mas eu levei um tempo para escrever a carta abaixo. O principal objetivo é fazer com que vejamos nosso corpo além das medidas e avaliar como está o nosso contato com ele. Como está a sua relação com seu corpo? Atreva-se a escrever para ele também!


Oi, corpo.

Estranho falar contigo desse jeito como se você fosse alguém distante e não o lugar em que estou. E, até quando te chamo de lugar, assim sem inserir um pronome possessivo antes, percebo o quão estranha é a nossa relação. Lugar não é algo passageiro? Eu deveria te tratar como parte de mim. Mas, vivo querendo perder um pouco de você. Nas poucas vezes em que nos encontramos, diante do espelho, o que eu vejo são fragmentos, braços que poderiam ser mais finos, joelhos de formato estranho, barriga saliente, seios começando a sofrer com a ação da gravidade entre outros detalhes.

Dígitos numa balança ou a numeração numa etiqueta não deveriam dizer nada, mas, isso é tão fácil de falar, quando eu penso em você, eu penso em números e infelizmente são eles quem define se naquele dia eu estarei de bom humor ou não. Me sinto doente afirmando isso, mas já foi bem pior, quase nos afogamos numa onda de paranoia que durou anos. Eu sei o quanto pôde respirar aliviado quando comecei a namorar, para quem só tinha padrões físicos da internet e revistas, ouvir como você-corpo estava bom daquele jeito deu uma brecha para nos salvar, ainda que temporariamente.  

Se apoiar nas opiniões dos outros é como construir uma casa na lama, a qualquer momento pode desmoronar. Enquanto isso a nossa música ao som do 'efeito sanfona' continua tocando a cada pesagem, nas suas notas posso sentir um misto de raiva e indignação. Sabe, quero ser capaz de poder reconhecer o que você tem de bom, ver além das dietas mirabolantes e do resultado do IMC. Fazer as pazes, te perdoar e me perdoar por tanta repressão e agressão. 



Um comentário:

  1. Olá Sarah,

    Poxa, é uma tarefa difícil essa, certamente. Gostei da forma como tu dialogou com seu corpo, acho complicado pois não é como conversar com si mesma, com sua mente, sua consciência, é conversar com uma parte que não irá te responder com certo ou errado, mas ele reage da forma mais agressiva ou graciosa, sem meio termo, tudo ao extremo. Baa, vou experimentar.

    Muito bom seu post, e a fonte também <3
    xoxo

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