26 de junho de 2015

Uma vida de boneca de cera



Ela não queria estar ali, mas estava.
Seu rosto era uma parede de concreto, imutável. Um sorriso significaria quebrar a solidez de sua fortaleza solitária. Ela não se permitia o contrário. Viver a sua vida era como andar numa esteira enguiçada. Todos os dias, a rotina a esmagava. Desistiu das horas, elas não sabiam de nada. Será que alguém lá fora queria mudar o mundo como ela? Ser importante e fazer coisas importantes? Pensava enquanto observava a cidade adormecida pela janela do coletivo.

Seu coração era um esboço não terminado, inúmeros rabiscos vazios no espaço. Finalmente tinha se tornado uma máquina, ainda que de carne e osso, sentia-se programada a agradar os outros e não pensar mais em si. Como tantas outras por ai. Quando criança queria chegar no fim do arco-íris. Azul é a sua cor favorita, dizia como numa reza, na esperança de que alguém pudesse ouvir e associar o azul à sua existência.

Escrevia para se sentir viva. Quando a folha em branco se enchia de palavras, era como se tivesse tomado um porre pesado, ficava aliviada, mesmo que o alvo não lesse, era uma anestesia temporária. Nem que por instantes o sentimento passava dela para o papel ganhando assim menos importância, doendo menos, podendo então simplesmente ser amassado.




6 comentários:

  1. Me identifico com seu texto, sempre me sinto desse jeito, será que todas nós? Mas temos que continuar aguento e sobrevivendo os dias...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Que texto encantador, Sarah. Você escreve de uma forma singela :)

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  4. Nossa como você escreve super bem... Dá até vontade de ler blog todo de uma só vez O

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  5. Texto maravilhoso amei o titulo do seu blog fada sem asa
    amei o seu blog sucesso seguindo, tenha uma semana abençoada
    Canal:https://www.youtube.com/watch?v=eNNlFtDc1-o
    Blog:http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br

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  6. Sabe, me identifiquei com o último parágrafo. Gosto de escrever para desabafar, ajuda.♥

    PiinkCookie.blogspot.com

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