14 de julho de 2015

A Rosa.



Ela me olha de dentro do copo cheio até a metade, a rosa. 

Não tem mais botão, nem folha, somente um broto no caule para lembrar do seu potencial. E eu me senti bastante infeliz ao olhar para ela, tão solitária no parapeito da janela. 
- Por que me olhas assim? Estou horrível? Por acaso devia eu murchar e poupar seus cuidados?
- Não, claro que não. - Me apressei a dizer. - Sinto por não ter onde te plantar. 
- Como assim? Ponha me junto das suas raízes e ali brotarei. - Respondeu satisfeita. 
- Também estou num lugar temporário, aliás, sempre estive. Nunca deu tempo de firmar raízes, nunca deu tempo de florescer. 
Então foi a sua vez me encarar triste.


3 comentários:

  1. Que belo texto.
    Obrigada pelo comentário no meu blog.
    Beijos! Tenha uma ótima quarta-feira.

    Blog Pam Lepletier

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  2. Que delicadeza com as palavras.
    Lindo texto.
    Beijos
    http://tecontopoesia.blogspot.com.br/

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