30 de julho de 2015

Relativamente bem.




Eu devia ter prestado atenção aos sinais de que as coisas estavam saindo do eixo. Primeiro, meu cartão de crédito que esqueço inserido no caixa, depois meu passe de estudante que passo sem querer e é recolhido por fiscal e, só  poderei reaver daqui 30 dias. Na madrugada da segunda-feira,  minha avó sofreu um AVC e teve de experimentar do caos da saúde, amargando na fila de espera por uma vaga em um dos hospitais. A transferência aconteceu, mas a briga e a mobilização foi grande. Aí, como se algum roteirista afirmasse que ainda não era o suficiente, surgiu um caroço no pescoço da minha mãe. 

Amanheço o dia, pedindo, orando, por favor não aconteça mais nada. Sinto-me culpada por desejar desesperadamente pela rotina, mas o que você poderia desejar enquanto gravita entre ansiedade e insegurança? Meu futuro é um grande vácuo inimaginável, do qual não consigo ter nenhum vislumbre, se antes nos tempos amenos, conseguia formular meu próprio destino, agora eu era uma das peças de um tabuleiro esperando meu próximo movimento angustiada. Minha mente, por vezes tenta me proteger enviando mensagens positivas ou funciona como minha algoz, fazendo com que eu caia num labirinto de "e se", esgotando toda a minha energia ainda pela manhã. Eu sei muito bem como fugir do que sinto, não tenho orgulho disso, mas sei parecer relativamente bem.



Nenhum comentário:

Postar um comentário