7 de julho de 2015

Sete da manhã



Antes das sete horas de um dia nublado num ano que não tem importância agora. 
Da fila na padaria, podia ver as pessoas se cruzando como formigas lá fora, cada uma parecendo carregar um mundo maior do que o suportável nas costas. O lugar exala um aroma tão bom de pão recém assado que pelas expressões não afeta ninguém ali além dela, mas não se importa. Na verdade aquelas pessoas, todas elas, inclusive ela mesma são granadas a ponto de explodir. Rita não acreditou que fosse possível se sentir tão vazia antes de começar de fato o dia, antes de uma boa xícara de café, antes de dar bom dia ao motorista. 

Porém, ela se sentia. Tão perdida como um balão solto por acidente da mão de uma criança. O quão longe chegaria sendo simplesmente levada pelo vento?  Um senhor reclama da demora, começa a falar sem parar, consultando o relógio a todo momento, culpando o governo, o vizinho, sua mulher... Isso diverte e incomoda os transeuntes, cada um reage do seu jeito, qualquer coisa é válida  para os distrair de seus próprios pensamentos. Os olhos de Rita alcançam as revistas numa gondola adiante, aqueles corpos esbeltos e sorrisos radiantes, não há espaço e nem tempo para ser infeliz. 

Próximo. Próximo. Alguém cutucou ou empurrou Rita. Deixa pra lá. Absorta em devaneios não teve tempo de montar um bom sorriso, daqueles que enganam. Ela não é do tipo de se fazer de coitada, nem quer que sintam pena dela, mas às vezes um colo cai bem.  

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