7 de agosto de 2015

Recepcionista há cinco anos




Meus olhos zigue-zagueiam pela página e o que era para ser uma apostila repleta de informações importantes, se tornou um mero amontoados de letras num papel em branco. Agosto começou com um gosto amargo. Pode ser clichê por causa do meu aniversário, mas ainda não consegui inventar uma outra versão de mim que não ficasse deprimida nesta época do ano. Depois daquele dia terminar tão bem, quando o parabéns se cala e as velas se apagam, o carinho recebido me acalenta antes dos meus pensamentos me arrastarem novamente frustração abaixo.

A descida é tão violenta, a queda é tão brusca, que quando estou lá, olhando para os  protótipos de mim flutuando sobre a minha cabeça, cada um deles me lembrando o que planejei ser em determinada idade, a melancolia me puxa para dançar  entre os meus 'eu' soltos na pista da minha imaginação. Às vezes, avisto a violinista dedilhando suavemente seu instrumento ou, a escritora sorrindo no lançamento do seu livro. Vejo também uma noiva lançando um buquê na vastidão, ela tem meu rosto, mas não sou eu.

No final da música, quando eu e a melancolia nos cansamos do mesmos passos, eu ainda podia ouvir o refrão tocando: Recepcionista há cinco anos... O dia dos pais vem ai, me prometa que você não vai deixar passar em branco, lembre-se de limpar sua consciência para o juízo final. Fazendo do almoço de domingo uma grande encenação teatral. Recepcionista há cinco anos... Quantos telefonemas atendeu? Quantos precisou atender até entender?










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