7 de janeiro de 2016

Pazes com a comida




Ontem eu estava reparando...  Tanto a conversa com as colegas de trabalho no café da manhã e no almoço, como o jantar com as amigas, nem que por pouco tempo que seja, o assunto foi peso. Isso mesmo, três vezes num mesmo dia, pessoas diferentes, em situações diferentes comentaram sobre comer, sobre sair da dieta, sobre se pesar. E não foi direcionado para mim especificamente, aliás, faz muito tempo que ninguém fala do meu peso - e agradeço por isso, afinal não é da conta de ninguém mesmo. 

Anos atrás, no ápice da minha obsessão por dietas, eu tinha a impressão de que a todo momento eu pensava em emagrecer. Eu sei que isso ainda é recorrente com muitas garotas, mas muitas mesmo e com garotos também. Ainda acontece comigo às vezes, aqueles velhos pensamentos baseados em números e sentimentos de culpa não foram embora de vez, mas não são mais os comandantes por aqui. Foi somente há pouco tempo que eu realmente percebi que na verdade nunca senti o genuíno prazer em comer. Eu lia sobre comer com consciência e achava engraçado e no mínimo estúpido. Hoje eu consigo entender um pouco mais sobre isso, mas ainda não consigo praticar. 

 É aquela coisa, quando criança você aprende que deve comer 'tudinho', depois você vai crescendo e o mesmo 'tudinho' já não significa mais ser uma 'boa menina', 'crescer fortinho' ou até 'ganhar presentes', e tantas outras coisas que eu aposto que você ouviu alguma vez na vida. Pensando sobre ontem e outros dias, quando perguntei sobre o natal ou réveillon, a ênfase era a comida, mas não se essa estava boa ou não, se o sabor era diferente, tudo se resumia na quantia consumida e nas consequências um tanto fantasiosas disso. Sem falar na quantia de piadinhas sem graça sobre dieta nas redes sociais, não é que eu tenha do nada virado a guru do liberte-se dos padrões impostos pela sociedade e blá blá blá, mas estou um pouco de saco cheio. 

Meu foco hoje é totalmente outro - perder peso? Óbvio que ainda quero! No entanto, preciso fazer as pazes com a comida primeiro. Deixar de encarar aquele brigadeiro como se ele fosse mais perigoso do que qualquer vilão da Marvel. Pois, tratando só das consequências de uma má alimentação, sem reavaliar o contexto todo não está me levando a lugar nenhum. Quando foi mesmo que a alimentação de aliada passou a ser inimiga? 

*Segue uma página bem interessante para quebrar uns paradigmas sobre alimentação: Não sou exposição


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