28 de setembro de 2016

Precisamos aceitar que não seremos para sempre os mesmos...




São 23:45, agora 46. Você está  dormindo pesado aqui do meu lado. Parece despreocupado, como se os problemas lhe dessem uma folga durante o sono, prontos para abocanha-lo no café da manhã do dia seguinte. Eu deveria seguir seu exemplo, simplesmente  fechar  os olhos e ignorar esses pensamentos. Mas, ignorar não  parece fazer parte do repertório feminino. E ao deitar a cabeça no travesseiro, como se fosse um gatilho a disparar emoções, começo a pensar em tudo.

Penso na garota que eu fui, em como eu queria tantas coisas. A gente pensa que pode realmente conquistar o mundo aos dezesseis. No fato de realmente acreditar em tanta bobeira (na superstição  da corrente que afirmava que eu me casaria aos vinte e quatro anos!?). Algumas coisas tem saído como imaginado: tenho um bom emprego - ainda que temporário e um carro. E você só  quer uma coisa: fazer medicina. As vezes, sinto como se o tão  almejado curso fosse o sol e eu um dos planetas aleatórios. Girando em torno de você.  Não vou estar mentindo se eu disser que desejo sua felicidade. E pelo seu jeito, só vai ser possível assim, depois que teu nome estiver naquela lista de aprovados. 

Enquanto isso, eu adio alguns planos - afinal, quantos já não  adiei mesmo? E vou deixando uns tantos de lado, não por desistência, somente por que não cabem mais na pessoa que me tornei hoje. Esperar ansiosamente que um relacionamento evolua para o casamento é como dizer que mulher nasceu para ser mãe,  ou seja, se não acontecer isso não  é normal. Será mesmo? Aprendi que as coisas tem um ritmo diferente na minha vida. Eu preciso respeitar isso. Realmente não  escolhi te amar depois daquele dia, simplesmente aconteceu. Porém, escolhi ficar. Até  quando? Quem vai saber? As grandes separações desse ano devem servir de lição: não  devemos nos prender num para sempre. Nem na ideia de que seremos para sempre os mesmos.

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