10 de julho de 2017

Quando decidi aceitar meu cabelo cacheado



FONTE: @thai_thailuv

Quando eu tinha uns sete anos, minha mãe raspou minha cabeça. Estava infestada de piolhos. Mesmo tão pequena, eu lembrava de achar que havia virado um menino. Os outros coleguinhas - como sempre, cooperaram para essa sensação. A trajetória do seu cabelo diz muito sobre você. Comigo foi assim. Então eu era zoada. E essas coisas são complicadas. Não sei exatamente quando comecei a odiar meu cabelo. 

Primeiro que ele não parecia satisfazer ninguém. Segundo que só deveria ter eu no mundo com aquele crespo. E começa assim. Um detalhe no visual e outras coisas começam a entrar na lista. Eu não sabia cuidar. Pois, não existia essa infinidade de vídeos ou de produtos. As tias tentavam me ajudar, mas doía e demorava, me irritava muito. Eu vivia de coque. Se ninguém me notava era por causa do cabelo, certeza. Dessa forma, abandonei o espelho. Também nunca fui vaidosa. Junte nessa equação o fato de que me achava horrorosa e gorda e o produto é esse blog. 

A primeira vez que alisei foi uma libertação, não sei do quê exatamente. Óbvio que isso não resolveu meu problema da autoestima, só muito depois eu fui perceber isso. Você conserta algo e logo as pessoas encontram outra coisa para criticar. Lembro de querer apenas um rabo de cavalo liso. Para isso, enfrentava horas de toalha molhada cobrindo o rosto por causa da fumaça do formol. Gastava de três em três meses um valor razoável. 

Foi ao cortar errado uma franja que decidi deixar cachear para ver no que daria. Posso dizer com todas as letras que não foi um processo fácil. Principalmente por parte das pessoas, dos parentes e da família. Ouvir tantas vezes que estava melhor antes e tal. Qual o motivo de não alisar mais, enfim. Isso foi uma escolha pessoal. P-E-S-S-O-A-L. Se eu amo de todas as formas meu cabelo? Haha. Claro que não! E você tem o direito de não gostar do seu cabelo natural? Tem e ninguém tem nada a ver com isso. 

Eu posso ver essa história se repetindo com a minha irmã de oito anos. Sinto que eu deveria fazer algo, mas não convivo com ela e sou minoria numa multidão. Resta torcer que ela encontre a sua melhor forma algum dia (alisando ou não). 

A partir do momento em que você se conhece e deixa de se maltratar em prol dos outros, o que você faz ou não contigo vira uma opção e não obrigação. Uma opção para se sentir bem. E digo isso quanto a alisar e se livrar das químicas. E liberdade é poder saber que se um dia você não alisar mais seu cabelo ou voltar para o alisamento, isso diz respeito apenas a você e mais ninguém. E que está tudo bem gostar de cabelo liso, cacheado ou colorido. Nada. Absolutamente nada deve ser feito visando aprovação dos outros. 

2 comentários:

  1. A gente demora demais a aceitar algo nosso por culpa dos parametros que a sociedade coloca em nós, muita gente tem um trabalhão pra ficar de um jeito que nem gosta. Fico muito feliz que você conseguiu sair dessa bolha e se sentir bem, tomos temos nossos dias de não aceitar nós mesmos, mas acredito que aos poucos vamos nos transformando.

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  2. Minha mãe usava química no próprio cabelo em casa, tanto para alisar quanto para tingir, ela mesma aplicava, e às vezes me obrigava a aplicar aquilo no cabelo dela.
    Naquela época eu já sentia ardor e queimor nos olhos, no nariz, na boca e nos pulmões. Sentia também enjoo, náusea e mal estar.
    Mesmo depois de horas essas sensações desagradáveis permaneciam.
    Desenvolvi uma aversão à química terrível.
    Só de passar na porta de um salão e sentir o odor de química já fico em alerta, prendo a respiração e saio correndo, é ridículo.
    Tenho uma vizinha que aplica química em casa.
    Eu sei porque quando ela o faz minha boca e o meu nariz começam a arder, daí fecho todas as janelas da minha casa!
    Meu cabelo é virgem até hoje, tenho vontade de colori-lo, mas o meu pavor de químicas é maior.

    Beijos :)

    ResponderExcluir